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08 março 2010

67. Teus olhos

Que Ivete Sangalo arrebeta em cima do trio elétrico não resta mais dúvida. Além da simpatia que arrasta fãs, ela transmite sempre uma energia exuberante. Mesmo para aqueles que não curtem o estilo de suas canções, fica difícil negar tamanha força.
No projeto Pode entrar (2009), a cantora abriu (literalmente) sua casa, convidou parceiros de ofício (Marcelo Camelo, Carlinhos Brown, Lulu Santos e Maria Bethânia) e desenvolveu um trabalho intimista e caseiro.
A canção "Teus olhos", de Marcelo Camelo, por exemplo, tem o clima de um luau em noite quente de verão. As vozes muito bem colocados de Sangalo e de Camelo, aliadas à melodia marinha, criam uma atmosfera de maresia e dengo praieiro.
Temos um sujeito que encontra nos olhos do outro todos os encantos bons. Mais uma vez, os olhos são os instrumentos que melhor dizem quem é o sujeito. E o mais pouco importa diante da epifania de se ter refletido nos olhos do outro.
Aqui são os olhos quem cantam. O sujeito se perde - "Caminho sem saber de mim. Eu vivo sem pensar" - na desmesura de ser: só ou mar? Um ou muitos? Ele sabe que estará sempre seguro enquanto for cantado pelos olhos que são a luz de sua vida.

***

Teus olhos
(Marcelo Camelo)

Teus olhos abrem pra mim
Todos os encantos
Teus olhos abrem pra mim

Teus olhos abrem pra mim
Todos os encantos bons
Tudo que se quer vai lá

Eu vi na terra
Você chegando assim
Assim, de um jeito tão sereno

Ai, ai, meu Deus do céu
Eu vivo sem pensar
Se sou só

Acho que não vou mais
Agora tudo tanto faz,
meu bem
Eu vi você passar
Levando meu encanto

Caminho sem saber de mim
Eu vivo sem pensar
Se sou só
ou sou mar

Mas eu conto com você
Pois enquanto eu não me resolver
Eu vou lá, eu vou lá
Mas enquanto eu não me resolver
Eu vou lá, eu vou lá

Um comentário:

Alexandre disse...

Cara, que legal que curtiu o Blog e fico muito feliz com seu contato, curti muito seu Blog também, quero "fuçar" depois com mais tempo, pois agora estou no meu trabalho e nao tenho muito;ví sua fomação e achei o máximo. Estou lendo " Frei Luís de Sousa, do Almeida Garret ", acabei de ler o final do segundo ato e estou maravilhado, nunca pensei que viria gostar tanto de Literatura Portuguesa...abraço!