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15 junho 2010

166. Magrelinha

Para João Netto

"Magrelinha" (Pérola negra, 1973)é uma das mais líricas e belas canções de Luiz Melodia. A canção desenha um sujeito que, em mergulho para dentro (super-eu), canta o outro: que terá o sorriso renovado pelo pôr-do-sol.
A imagem de um arco-íris cor de sangue (prismado pela tonalidade da cor pôr-do-sol) que toca a areia preta adensa o encontro sublime de um eu com seu duplo; com um outro que pode, (ou não) ser ele mesmo.
Brilhos, sorrisos e beijos se contrapõem ao momento melancólico de fim do dia, possibilitando pensar que a paisagem cantada é toda interior: super-eu. Porém, ao mesmo tempo que o pôr-do-sol simboliza o fim de um ciclo, ele despoleta a abertura do novo que virá: o super-homem nietzscheano? Pode e não pode ser.
A melodia toda terna favorece a pulsão de vida, a afirmação da existência, apesar do sangue que colore o momento e da super-mosca que pousou no melado do beijo.
Entre hesitações e dúvidas (não adivinhadas nem mesmo pelo sol dos cinco sentidos), baby (I love you) é magrelinha e é mimada pelo sujeito superbacana, que vai sonhando até explodir colorido.

***

Magrelinha (Luiz Melodia)

O pôr-do-sol
Vai renovar,
Brilhar de novo o seu sorriso
E libertar
Da areia preta e do arco-íris
Cor de sangue, cor de sangue
O beijo meu
Vem com melado,
Decorado cor-de-rosa
O sonho seu
Vem dos lugares mais distantes
Terra dos gigantes
Super-Homem, Super-Mosca,
Super-Carioca, Super-Eu, Super-Eu
Deixa tudo em forma, é melhor nem sei
Não tem mais perigo
Digo, já nem sei
Ela está comigo, o som, o sol, não sei
O sol não adivinha,
Baby é magrelinha
No coração do Brasil

Um comentário:

ADEMAR AMANCIO disse...

Adoro o Luiz melodia,mas suas letras,não sei se são profundas demais,ou são só delirantes mesmo.