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27 dezembro 2010

361. Dia branco

O sujeito de "Dia Branco", de Geraldo Azevedo e Renato Rocha, é a própria sereia tentando seduzir e convencer o ouvinte a com ela seguir "numa praça, na beira do mar". E faz isso usando a imagem de um dia branco: cheio de possibilidades para ser experimentadas e opções para ser engendradas.
Guardada no disco Inclinações musicais (1981), "Dia branco" é o canto que quer saciar os desejos do ouvinte - "sol se o sol sair, ou chuva se a chuva cair" - e assim fisga-lo. E o que é um ouvinte sem o canto? Nada, simplesmente não existe.
A sereia sabe disso e promete realizações neste sentido: o canto de amor singular que mantem o ouvinte vivo na vida. Porém, para tanto, o ouvinte precisa ir com ela - "pro que der e vier". A letra da canção começa com o "se" abrindo, assim, as segundas intenções da voz que canta.
A melodia lenta, passional, adensa o desejo de manter o ouvinte "parado" no canto: atento à canção amorosa e mais vulnerável à conquista. A lamúria humana é pelo reconhecimento, portanto, como negar o convite da sereia que me canta: que diz quem sou?
Por outro lado, tornando-me escravo desse canto, reconheço-me como um ser para a morte. Enquanto a sereia se arrisca, canta e me conquista, eu me acomodo e me torno agente da história, pela angústia de sempre necessitar do canto da sereia.
A nesga metacancional de "Dia branco", que acontece quando o sujeito da canção diz (canta) "Se branco ele for, esse tanto, esse canto de amor", é usada para apontar a consciência-de-si daquele que canta: a ficção é sedutora quando ela (o sujeito) conversa com ela mesma - impõe-se como ficção: interferência no "real".
A voz que canta (sempre ficcional) lança um impulso sobre o ar e acerta em cheio o ouvinte exausto de cotidiano. A voz pronuncia o mundo - constrói e desconstrói tempos e espaços - em abundância: desejo primordial do ouvinte. Cabe a este dizer sim ou não: abandonar o "se".

***

Dia branco
(Geraldo Azevedo / Renato Rocha)

Se você vier
Pro que der e vier
Comigo

Eu lhe prometo o sol
Se hoje o sol sair
Ou a chuva

Se a chuva cair
Se você vier
Até onde a gente chegar
Numa praça
Na beira do mar
Num pedaço de qualquer lugar

Nesse dia branco
Se branco ele for
Esse tanto
Esse canto de amor

Se você quiser e vier
Pro que der e vier
Comigo

4 comentários:

Thales Ramos disse...

fala amigo, parabéns pelo blog.
tomei a liberdade de fazer um post sobre seus escritos
passa lá
http://osamba.net/2010/12/23/365-cancoes-e-um-fred-astaire-no-samba/

Camila Lanna disse...

‎"A voz que canta (sempre ficcional) lança um impulso sobre o ar e acerta em cheio o ouvinte exausto de cotidiano. A voz pronuncia o mundo - constrói e desconstrói tempos e espaços - em abundância: desejo primordial do ouvinte. Cabe a este dizer sim ou não: abandonar o "se"."

Poucas vezes li coisas que diziam tanto de mim como este trecho do Leonardo. É exatamente isso que acontece. Quando abandono o 'se' e digo sim ou não, os tempos e espaços construidos e desconstruidos pela voz, tornam-se parte do meu cotidiano, do qual estou cansada, e passo então a buscar outra voz. Será que vai ser sempre assim?

Bruna Albuquerque disse...

Amei seu blog!
Achei excelente as suas interpretações.

Estou seguindo!

http://umapitadadebruna.blogspot.com/

Ana Karollina Araujo da Silva disse...

No começo do semestre, eu te mandei o meu material antigo de bioinorgânica, só para te ajudar, alguns meses depois, você resolveu comprar a dor dos outros e resolveu praticar linchamento virtual no grupo de duvidas do CAFAR, você não esperou nem o semestre acabar para se voltar contra mim. Me desculpa por ter te mandado o meu material antigo só para te ajudar, eu já deveria saber que você não presta.

Eu vou te contar na treta que você se meteu, a 3 anos atrás a Gabriela Santana Andrade viu que iria ficar reprovada em analítica 1. Teve uma semana que eu peguei um resfriado muito forte, eu cheguei a ficar com febre, então como a Gabriela não podia descontar a raiva dela na professora de analítica 1, a Gabriela resolveu descontar a raiva dela em mim, que estava doente. A Gabriela mandou a amiga dela do curso de pedagogia chamada Ana Beatriz Procession Guimarães entrar no grupo de analítica 1 se passando por uma tal de Simone. Naquele dia a Gabriela e a “Simone” ficaram me humilhando por causa de iniciação científica no grupo de analítica 1. A Gabriela ficou compartilhando com os amigos da atlética de farmácia, um áudio de eu tossindo e gritando que eu estava doente Gabriela. Foi nesse tipo de treta que você se meteu. Você é igualzinha a Ana Beatriz Procession Guimarães, você fica se metendo em problemas, que não são seus.

Eu sei tudo sobre você, eu achei o perfil no Instagram e no Linkedin:

https://www.instagram.com/karollina_04/

 

https://br.linkedin.com/in/ana-karollina-1a0233349

 

Mas você também amiga da Beatriz Ribeiro de Oliveira, que é incapaz de passar em qualquer disciplina sem colar na prova, a Beatriz Ribeiro de Oliveira fica falando na faculdade para todo mundo ouvir que escondeu a cola da professora, ela falou tão mal da Lages, rodou todos os professores de química orgânica e só consegui passar em orgânica 1 graças a Lages agora a Beatriz está falando bem da Lages, a Beatriz inclusive publicou esse artigo científico:

 

https://www.mdpi.com/2072-6643/17/17/2763

 

É isso o que acontece com quem cola na prova e fala mal dos outros, publica um artigo científico. A Beatriz Ribeiro de Oliveira representa tudo o que há de errado na faculdade, ela é a prova que vale a pena colar na prova, ela é a prova que a coordenação da farmácia da UFRJ fecha os olhos para quem cola na prova, ela fica se fazendo de santa, mas no fundo ela não presta. Eu sinto vergonha de ser obrigado a ser da mesma turma de um ser tão desprezível como a Beatriz Ribeiro de Oliveira.

 

 

Pode mandar o seu amigo o Guilherme de Sousa Barbosa que me ameaçou mesmo sem eu ter feito nada contra ele, me matar. Manda o Guilherme de Sousa Barbosa aparecer na boca de fumo que tem aqui perto de casa e mandar os traficantes me matar, aqui do lado da minha casa funciona um ferro velho clandestino que fornece material furtado para os traficantes construírem barricadas.

 

Eu não tenho nada a perder, a vida é boa para quem faz iniciação científica, para quem não faz só resta à morte. Eu não vou perder a minha bolsa de iniciação científica.